A maioria dos cursos de nível acadêmico – Administração de Empresas, especialmente – não estimulam o desenvolvimento do espírito empreendedor. Muito ao contrário, o inibem com a complexidade de análises de viabilidade exigidas que terminam inviabilizando qualquer sonho ou aspiração de pessoas mais independentes.

Neste poder de “castração” da livre iniciativa a escola só perde para a estrutura familiar que continua educando seus filhos para o modelo do emprego convencional. Exemplo disto é o caso de pais que ainda orientam seus filhos dentro da mentalidade exclusiva de “conseguir um bom emprego numa grande empresa, de preferência multinacional”.

E este fenômeno é mais comum na classe média, que se acostumou com a falsa idéia da segurança e “status” do vínculo empregatício que assegure um rendimento no final do mês. Mesmo que esta pessoa passe a vida toda insatisfeita com a sua situação. Valoriza-se uma pseudo-segurança em detrimento da realização pessoal e profissional.

O Renato Berhoeft tem uma certa razão: as instituições de ensino atuais, com raras exceções, não são estruturadas para criar empreendedores.

O que ele não compreende é que empreendedores não se formam. Eles nascem empreendedores, ou aprendem com a vida a ser empreendedores, mas nunca se formam.

Acontece que em websites como a Administradores.com e outras do ramo, dentro e fora do Brasil, os escritores tendem a ser defensores daquilo que eles gostariam para si mesmos — como é instintivo ao ser humano — com pouca preocupação se isso é benéfico para o mundo ou condiz com a realidade. Por exemplo, presumir que todo mundo é um empreendedor por dentro, e que tudo que eles precisam é educação formal voltada para o empreendedorismo.

Empreendedores não costumam vir da Administração. Seria correto então culparmos o curso pela falta de empreendedores? De jeito nenhum! Vou contar um segredo, perdido sob montanhas de artigos tão ruins quanto esse, sobre empreendedorismo:

Para você ser empreendedor, precisa apenas saber um ofício. A educação necessária é proporcional à exigência do ofício. Se o ofício não exige educação formal, você pode ser um empreendedor, ainda que analfabeto.

Sim, ambos Bill Gates e Mark Zuckerberg saíram de Harvard. Quais eram seus cursos? Gates fez Matemática Aplicada. Zuckerberg fazia Ciências da Computação e Psicologia. Mas um dos mais antigos empreendedores, Walt Disney, largou o Ensino Médio, foi pra França dirigir ambulância e voltou para os EUA para começar seu estúdio de animação, aos 16 anos de idade.

Walt Disney nunca soube se uma solução de bromo em tetracloreto de carbono conduz ou não corrente elétrica: ele estava muito ocupado desenhando. E se ele chegasse a cursar administração, ele provavelmente passaria a aula inteira de Estrutura e Interpretação de Balanços rabiscando no caderno, fazendo príncipes e princesas em cada uma das folhas, só para vê-los se mover.

Eu sei que dói ouvir isso, mas a verdade é que a Administração é totalmente irrelevante para o empreendedorismo. Ela é um coadjuvante, de suma importância para a sobrevivência de um negócio criado por um empreendedor, mas nada além de um coadjuvante. Para que a administração se torne relevante, ela precisa reconhecer que ela existe para fazer malabarismos financeiros e organizacionais que permitam a esses loucos de educação formal limitada tornar reais suas visões empreendedoras.

Por fim, gostaria de deixar um recado para as pessoas que não são empreendedoras: não fiquem envergonhadas. Para cada fundador egocêntrico e sonhador, centenas de pessoas nascem com o talento para escutá-lo e tornar aquilo que ele sonha em realidade. Sua importância nunca poderá ser diminuída por um lunático que os chama de “apenas empregados”.

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