Tecnologia vs Telecomunicações

Tecnólogos gostam da tecnologia pelo que ela é. Ela é o “fim”; aquilo que eles admiram como uma obra de arte, por si só — como o próprio Luli Radfahrer comparou no seu tweet. Quando você vê um relógio funcionando por dentro pela primeira vez, é uma experiência mágica. Relógios não precisam de ponteiros para serem mágicos. Eles não precisam de uso prático para serem mágicos. Eles só precisam fazer “tic-tac”.

Outras pessoas, contudo, veem a tecnologia como o “meio”. O meio pelo qual elas conseguem fazer algo; como ver as horas, nos seus pulsos. A magia está no resultado retirado da experiência de utilizar a tecnologia. No caso do relógio, a exatidão que permite a certeza de um resultado, seja na confecção de um bolo, seja na navegação por instrumentos de um avião.

Mas o Luli não está falando de tecnologia. Ele está falando de telecomunicações.

A telecomunicação é o meio pelo qual as pessoas se comunicam com parentes distantes, com colegas das antigas ou com gente brilhante que eu não teria condições de conhecer de outra forma (como o Luli).

O problema é que a tecnologia também se torna o meio para coisas que as pessoas não necessariamente querem substituir. Os parentes próximos se tornam distantes, por meio da tecnologia — que facilita que nem um nem o outro tenham de atravessar uma cidade, ou fazer uma viagem, para ver gente que eles costumavam visitar ao menos uma vez por semana. Colegas das antigas, que você gostaria que ficassem no seu passado, aparecem do nada. Seu chefe aparece do nada. Sua mãe aparece (tanto no sentido da piada sem graça quanto no literal) do nada.

E o estresse aparece, do nada.

E a solidão aparece, do nada.

E a sua felicidade desaparece, do nada.

Nós chegamos em um ponto onde as telecomunicações se tornaram intrusivas. É uma mudança de paradigma radical demais para os “seres humanos normais”. Pode ser que aceitemos e nos adaptemos à nova realidade de como a nossa vida deve ser  conduzida com essas telecomunicações ubíquas, mas a mudança gerada pela internet e os dispositivos móveis atuais é muito mais radical do que a que o telefone trouxe — principalmente porque o preço pago é muito menor por interação. Como consequência do preço banal e corriqueiro, as próprias comunicações se tornam banais, corriqueiras, sem sentido. Além disso, é exigida sua presença constante nessa roda viva.

“Deus nos livre de desperdiçarmos um só minuto do tempo que pagamos para usar.” Essa foi a lição que o telefone nos deixou e que levamos à internet. Até que isso se desfaça nas nossas mentes, elas continuarão se rebelando — em forma de uma fobia irracional da “tecnologia”.

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