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Suas obrigações não são terceirizáveis

Eu venho tentando encontrar palavras pra descrever a profunda desilusão que eu sinto com o povo brasileiro com esses absurdos que vêm acontecendo nos últimos meses.

O que eu posso dizer é que eu tenho um profundo desgosto pelo partidarismo da maneira que ele se manifesta desde que foi inventado. Só serve para esconder por trás de uma bandeira toda a corrupção que a classe política sempre praticou. Identificar-se com uma ideologia e modelo econômico não deveria jamais ser razão para institucionalizar máfias, não importa a sigla que a identifique.

Mas pior do que os políticos é a população. A conversa de que pobre é burro e não sabe escolher porque é pobre é ridícula: ricos, com todo seu dinheiro para estudar nas melhores instituições de ensino do Brasil e do mundo, são tão incapazes quanto os pobres de compreender conceitos básicos, como a importância de não se viver em um regime totalitário sem garantias constitucionais. Do alto da sua ignorância, proferem absurdos para um jornalista, com o maior insulto que eles puderam encontrar em um vocabulário limitado apenas pela pequenez da sua mente: petista.

Essas pessoas não têm desculpas para agirem do jeito que agem. Elas têm acesso a educação fundamental de qualidade, conhecimento sem barreiras e instrutores que dedicaram suas vidas a pensar e guiar os outros em seus estudos. Têm condições de comprar uma biblioteca inteira e, principalmente, têm condições viver a vida de forma intensa, viajando o mundo em busca de novos horizontes para a sua mente. Podem sentar por horas à fio em um sábado onde não precisam fazer trabalho doméstico e pensar, refletir, filosofar, validar seus pensamentos contra fatos, unir-se em grupos de estudos e fazer tudo que um pobre não tem condição de fazer.

Só que a verdadeira genialidade nunca teve muito a ver com dinheiro ou meios de acesso ao conhecimento, mas com curiosidade e empatia. A curiosidade que nunca tiveram ou perderam muito antes de viajar a Paris apenas para tirar foto da Mona Lisa no Louvre e comentar para a sua amiga “vamos embora, não deve ter mais nada de interessante aqui”. A empatia, que se perde quando tudo que você faz é ganhar mais dinheiro, não importa o custo, não importa quem você tenha de passar por cima, não importa se você precisa pechinchar no subsalário do seu funcionário ou criar um Caixa 2 na sua empresa. Afinal, sonegar é legítima defesa.

A classe social e a ascendência não são fatores determinantes para definir propensão à imbecilidade. Mas a sua vontade de viver uma vida simplória e maniqueísta, extraindo o máximo de vantagens sem sequer refletir sobre os custos das suas decisões, aliada com a sua incapacidade de reconhecer amigo de inimigo são fatores muito mais determinantes para o total e completo colapso econômico e moral que estamos vivendo no Brasil.

Pensar numa solução que funcione para qualquer coisa no mundo exige um investimento gigantesco de tempo. Não há impeachment que seja capaz de acelerar esse processo, pois ele acontece dentro de você, independente de quem está na presidência. Não há como transferir a responsabilidade desse pensamento via voto, ou para as Forças Armadas. Não existe terceirização de responsabilidade. Ter condições mentais de encontrar soluções é um processo que leva uns 10 anos da sua vida para que você aprenda de verdade: aprender que nada sabe, mas que ainda assim, sabe mais do que esse bando de coxinhas e petralhas que caminham pelas ruas, feito zumbis, na ilusão de que sabem tudo.

Como contar apenas campos com números com CONT.SES

Uma situação na qual me encontrei recentemente é a seguinte:

CONT.SES e comissões

Uma tarefa que deveria ser simples provou-se mais complexa do que eu esperava: como definir se um pagamento é o primeiro, mas sem perder o controle dos boletos bancários que você já emitiu e que fez a baixa no banco?

Geralmente usamos a função CONT.SE do Excel para contar quantas ocorrências de um número de identificação único, no caso a ID_Cliente na coluna A, aparece. Sendo o número 1, definimos que o pagamento é o “Primeiro” e tudo se resolve. Contudo, quando você quer que apenas seja contado se a Liquidação for um número (como uma data), e não um texto, já não é tão simples.

A fórmula que gera a nossa coluna E é a seguinte, na célula E2:

=SE(ÉTEXTO($C2);"Não Foi Feito";SE(CONT.SES($A$2:$A2;$A2;$C$2:$C2;"<>?*")=1;"Primeiro";"Recorrente"))

Vou tentar explicar como chegamos nesse ponto.

$

Uma funcionalidade básica de Excel: toda referência de coluna ou linha precedida por um $ não muda se você copiar a fórmula para outra célula. Por exemplo: “$A$2” é a mesma coisa que “A2”, mas se você copiar esse valor para a célula A3, ele vai continuar “$A$2”.

Você vai notar intervalos como “$A$2:$A2”. Por quê? É porque queremos que o número da célula no fim do intervalo mude de acordo com a linha onde está. Quando você mexer essa equação para a linha 3, ela automaticamente mudará para “$A$2:$A3”. Se mover para a linha 15, será “$A$2:$A15”.

CONT.SES

O CONT.SES tem o propósito de fazer uma contagem de todas as ocorrências verdadeiras dos critérios que você definir até a linha que você determinar. Para que um valor saia “1”, você deve parar de calcular na primeira linha onde os critérios são verdadeiros, por isso limitamos a busca com intervalos como A2:A2, depois A2:A3 e assim por diante.

Neste caso, estamos pedindo ao Excel que conte um valor específico da coluna A, desde que o valor na coluna C não seja texto na mesma linha:

CONT.SES($A$2:$A2;$A2;$C$2:$C2;"<>?*")

Portanto, na célula E2, pedimos que num intervalo entre A2 e A2, se o resultado for igual a A2, o Excel retorne um valor verdadeiro.

Contudo, também pedimos ao Excel que verifique num intervalo entre C2 e C2 se o resultado é diferente de texto, ou seja, se é um número ou uma célula em branco. Caso seja diferente de texto, pedimos que ele retorne um valor verdadeiro.

“Diferente” no Excel é expresso com “<>”. A ideia de “qualquer caractere de texto” é expressa com os caracteres coringa “?*”.

Repetimos essa fórmula até a célula E6, sendo os cinco resultados: 0, 1, 1, 2, 2.

SE interno

Existindo a fórmula de CONT.SES anterior para calcular o número de ocorrências de um ID_Cliente na coluna A até a linha em que ele se encontra, a função SE permite que utilizemos o número obtido para retornar certos valores se um teste lógico retornar verdadeiro ou falso. Neste caso, nosso teste lógico é: nossa fórmula anterior, do CONT.SES, é igual a “1”?

Caso verdadeiro, o Excel escreverá a palavra “Primeiro” na linha correta da coluna E. Caso seja falso, ele escreverá “Recorrente”.

Contudo, quando há texto na coluna C, o nosso CONT.SES retorna “0”, o que é interpretado por esse SE interno como “Recorrente”. Nós queremos evitar isso, para que a coluna F não calcule qualquer tipo de comissão.

SE externo

O teste lógico utiliza a função ÉTEXTO do Excel, verificando a célula adequada na coluna C. Se for texto, o teste lógico retorna verdadeiro, e o Excel escreverá “Não Foi Feito”, conforme o instruímos. Caso a célula da coluna C não seja texto, o Excel fará o SE interno que explicamos anteriormente. O Excel sempre cumprirá sua primeira instrução válida, ignorando todas as outras subsequentes, por isso é importante que esse teste lógico seja o primeiro.

Contudo, é difícil verificar a necessidade dele sem escrever todo o resto, por isso estou explicando-o por último.

Comissão

Novamente aqui há dois SEs: um externo, verificando se há necessidade de calcular a comissão, e um interno, que calcula a comissão a partir dos critérios estipulados. A fórmula para o cálculo da comissão na célula F2 é a seguinte:

=SE($E2="Não Foi Feito";0;SE($E2="Primeiro";$D2*0,2;$D2*0,1))

Se E2 for igual a “Não Foi Feito”, então o Excel deverá retornar o valor “0”, negando qualquer comissão.

Contudo, se o valor for “Primeiro”, ele deve pegar o valor do boleto em D2 e multiplicá-lo por 0,2 (20%), obtendo-se assim o valor de comissão de um primeiro pagamento. Mas se for qualquer outro caso, ou seja, o “Recorrente”, então o valor deve ser multiplicado por 0,1 (10%), finalizando nossa tarefa.

Trabalho remoto

Capa de Remote: Office Not Required

Capa de Remote: Office Not RequiredOs sócios da Basecamp, Jason Fried e David Heinemeier-Hansson, me salvaram de escrever um livro inteiro sobre como trabalhar remotamente. Remote: Office Not Required é uma perfeita introdução ao assunto.

Queria abordar certos problemas relacionados a pessoas em condições como a minha: trabalho administrativo básico em duas empresas.

Sobreposição de horário

A sobreposição de quatro horas, sugerida pelos autores, não é possível em casos similares ao meu. O melhor horário para minhas funções seria trabalhar das 9h até as 13h em um emprego, depois das 17h às 21h em outro. Eu não consigo imaginar alguém que vá ser produtivo dessa maneira, ou que vá conseguir ter uma vida social ou amorosa saudável.

Quando eu tenho de resolver algo de manhã cedo, faço aquela única tarefa e deixo todo o resto para o horário que se adequa melhor à minha rotina. Quando tenho de ligar para alguém que só está disponível à noite, faço as anotações necessárias durante a ligação e realizo o trabalho só no outro dia.

Comunicação com os colaboradores

Não há contato com uma pessoa que está no meio de uma floresta de eucalipto. Nesses casos, você tem que ser chato para que tudo que você precisa para fazer o seu trabalho chegue de forma que não exija retificação ou desambiguação, pois a janela de tempo para qualquer comunicação é minúscula. Quando alguma coisa errada acontece, é crucial que você saiba como o seu colaborador entende melhor uma instrução: por texto, voz, por demonstração ou por experimentação.

É sua responsabilidade saber qual é a opção correta para cada colaborador, não do seu chefe! E se isso exigir que ambos se encontrem no fim do mundo, entre em contato com o seu superior hierárquico e diga que precisa de verba para uma viagem.

Falar amenidades no WhatsApp deve funcionar para melhorar a relação com os colaboradores, mas nunca tentei. Os meus dirigem uma média de 200 km por dia e não vai ser eu que vou causar um acidente de trânsito pra falar do jogo do Grêmio. De maneira geral, meu trabalho flui mais quando não estou falando amenidades com ninguém e estou sozinho.

Trabalhar por horário vs. trabalhar por meta

Trabalhar por horário é uma das coisas mais estúpidas a se fazer em trabalho remoto. Qualquer número de horas, seja duas ou catorze. Se um dos seus empregos exige horário, converta isso para metas o mais rápido possível. Por exemplo, um horário é verificar e-mails das 8h até as 18h. Uma meta é mandar uma resposta para qualquer e-mail em até duas horas dentro do horário comercial e tão cedo quanto possível fora desse horário.

Se você é competente, nenhuma tarefa sua deve ser tão urgente que não possa esperar o fim do episódio do seriado que você está assistindo naquele momento. Se você mesmo assim está recebendo pedidos urgentes, é porque o responsável por isso não está sendo competente, e você não deve dar cobertura para incompetentes. Deixe o problema explodir.

Contudo, é crucial que você avise os horários em que não estará disponível, se esse tempo excede duas horas. Mantendo a sobreposição de horários perto do adequado, não vejo razão para qualquer chefe cobrar de um trabalhador remoto que está em dia com suas responsabilidades que este fique plantado na frente do computador, muito menos que use a sua conexão móvel privada em prol da empresa enquanto está pagando contas no banco.

Aumento na carga de trabalho

Isso é tratado brevemente no capítulo “Check-in, check-out”, mas gostaria de reforçar: seu chefe não vai ver nos seus olhos o quão exausto você está, então não aceite aumento na carga de trabalho antes de ter certeza de que há tempo suficiente no seu dia para isso. E por “tempo suficiente”, eu quero dizer que se um dia de trabalho remoto normal está durando mais do que seis horas, sendo essas seis horas “trabalho puro”, mesmo com duas empresas juntas, você acumulou tarefas demais.

Por quê? É que se você está trabalhando mais de seis horas normalmente, você já estará no limite da estafa mental e da sua paciência com o trabalho. Acredite, é muito fácil aceitar uma jornada de trabalho normal de 12 horas que vira 18 ou até mesmo 36 horas com uma frequência alarmante.

Outra tendência natural é achar que você vai subir na empresa aceitando mais trabalho. Isso é pura inocência. A maior parte das empresas não têm plano de carreira e se destruir não vai fazer com que elas o criem. Portanto, trabalhe apenas o que é justo pelo que você recebe e priorize a que lhe subsidia melhor.

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Quando filmes começam a virar algo diferente

Estava escutando o episódio 245 do podcast The Incomparable, que trata sobre o filme Vingadores: Era de Ultron. Para quem não está familiarizado, a Marvel construiu uma rede de filmes para cada personagem principal, que eventualmente convergem em um grande filme com todos os Vingadores. Sem assistir Capitão América 2: O Soldado Invernal, é impossível compreender a trama de Era de Ultron, o que levou o âncora Jason Snell a perguntar se isso não estava fazendo com que os filmes da Marvel seja mais parecido um programa de TV cujos episódios são longos e passam no cinema. Seu tom era de que isso é algo negativo.

Minha pergunta é: isso importa? Muitas pessoas constroem essas noções de que certas mídias servem para certas coisas, sem jamais questionar se essa limitação é necessária. Se filmes parecem-se mais com seriados, e seriados parecem-se mais com filmes (vide Sherlock, da BBC), por que tratamos os formatos antigos como superiores e dignos de se manter? Em uma era pós-Netflix, qual é o ganho em um episódio restringir-se a restrições criadas pela TV de 23 ou 46 minutos para dar tempo para comerciais que nunca serão exibidos; por que, em uma era pós The Pirate Bay, é importante que um filme seja autosuficiente, quando obter e assistir aos filmes anteriores é um processo tão banal?

Onde mais nos agarramos a antigas restrições por pura nostalgia?

When You Lose Weight, Where Does it Go? The Answer May Surprise You

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Rodrigo Jaroszewski:

tl;dr: a sua gordura sai pela sua urina e pela sua respiração. A explicação é muito interessante.

Publicado originalmente em Mitch Kirby:

Recently, I was sitting and thinking about all of the diet and exercise suggestions that constantly bombard us from all sides. While trying to determine which techniques would likely yield the largest benefits, I decided to start from the beginning and attempted to answer a seemingly simple question: When we lose weight, where does the weight go? When the fat from our waistline disappears, what happens to it? Answering this question was actually way more difficult than I imagined at the start, and forced me to think back to my time as a molecular biology major in order to answer the question effectively.

After uncovering the answer for myself, I asked others to think about the question to see if the solution was more obvious to them than it was to me. Shockingly, even many physicians I asked were unable to answer this question accurately and completely. Below are the most popular answers…

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