Trabalho remoto

Capa de Remote: Office Not Required

Capa de Remote: Office Not RequiredOs sócios da Basecamp, Jason Fried e David Heinemeier-Hansson, me salvaram de escrever um livro inteiro sobre como trabalhar remotamente. Remote: Office Not Required é uma perfeita introdução ao assunto.

Queria abordar certos problemas relacionados a pessoas em condições como a minha: trabalho administrativo básico em duas empresas.

Sobreposição de horário

A sobreposição de quatro horas, sugerida pelos autores, não é possível em casos similares ao meu. O melhor horário para minhas funções seria trabalhar das 9h até as 13h em um emprego, depois das 17h às 21h em outro. Eu não consigo imaginar alguém que vá ser produtivo dessa maneira, ou que vá conseguir ter uma vida social ou amorosa saudável.

Quando eu tenho de resolver algo de manhã cedo, faço aquela única tarefa e deixo todo o resto para o horário que se adequa melhor à minha rotina. Quando tenho de ligar para alguém que só está disponível à noite, faço as anotações necessárias durante a ligação e realizo o trabalho só no outro dia.

Comunicação com os colaboradores

Não há contato com uma pessoa que está no meio de uma floresta de eucalipto. Nesses casos, você tem que ser chato para que tudo que você precisa para fazer o seu trabalho chegue de forma que não exija retificação ou desambiguação, pois a janela de tempo para qualquer comunicação é minúscula. Quando alguma coisa errada acontece, é crucial que você saiba como o seu colaborador entende melhor uma instrução: por texto, voz, por demonstração ou por experimentação.

É sua responsabilidade saber qual é a opção correta para cada colaborador, não do seu chefe! E se isso exigir que ambos se encontrem no fim do mundo, entre em contato com o seu superior hierárquico e diga que precisa de verba para uma viagem.

Falar amenidades no WhatsApp deve funcionar para melhorar a relação com os colaboradores, mas nunca tentei. Os meus dirigem uma média de 200 km por dia e não vai ser eu que vou causar um acidente de trânsito pra falar do jogo do Grêmio. De maneira geral, meu trabalho flui mais quando não estou falando amenidades com ninguém e estou sozinho.

Trabalhar por horário vs. trabalhar por meta

Trabalhar por horário é uma das coisas mais estúpidas a se fazer em trabalho remoto. Qualquer número de horas, seja duas ou catorze. Se um dos seus empregos exige horário, converta isso para metas o mais rápido possível. Por exemplo, um horário é verificar e-mails das 8h até as 18h. Uma meta é mandar uma resposta para qualquer e-mail em até duas horas dentro do horário comercial e tão cedo quanto possível fora desse horário.

Se você é competente, nenhuma tarefa sua deve ser tão urgente que não possa esperar o fim do episódio do seriado que você está assistindo naquele momento. Se você mesmo assim está recebendo pedidos urgentes, é porque o responsável por isso não está sendo competente, e você não deve dar cobertura para incompetentes. Deixe o problema explodir.

Contudo, é crucial que você avise os horários em que não estará disponível, se esse tempo excede duas horas. Mantendo a sobreposição de horários perto do adequado, não vejo razão para qualquer chefe cobrar de um trabalhador remoto que está em dia com suas responsabilidades que este fique plantado na frente do computador, muito menos que use a sua conexão móvel privada em prol da empresa enquanto está pagando contas no banco.

Aumento na carga de trabalho

Isso é tratado brevemente no capítulo “Check-in, check-out”, mas gostaria de reforçar: seu chefe não vai ver nos seus olhos o quão exausto você está, então não aceite aumento na carga de trabalho antes de ter certeza de que há tempo suficiente no seu dia para isso. E por “tempo suficiente”, eu quero dizer que se um dia de trabalho remoto normal está durando mais do que seis horas, sendo essas seis horas “trabalho puro”, mesmo com duas empresas juntas, você acumulou tarefas demais.

Por quê? É que se você está trabalhando mais de seis horas normalmente, você já estará no limite da estafa mental e da sua paciência com o trabalho. Acredite, é muito fácil aceitar uma jornada de trabalho normal de 12 horas que vira 18 ou até mesmo 36 horas com uma frequência alarmante.

Outra tendência natural é achar que você vai subir na empresa aceitando mais trabalho. Isso é pura inocência. A maior parte das empresas não têm plano de carreira e se destruir não vai fazer com que elas o criem. Portanto, trabalhe apenas o que é justo pelo que você recebe e priorize a que lhe subsidia melhor.

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Quando filmes começam a virar algo diferente

Estava escutando o episódio 245 do podcast The Incomparable, que trata sobre o filme Vingadores: Era de Ultron. Para quem não está familiarizado, a Marvel construiu uma rede de filmes para cada personagem principal, que eventualmente convergem em um grande filme com todos os Vingadores. Sem assistir Capitão América 2: O Soldado Invernal, é impossível compreender a trama de Era de Ultron, o que levou o âncora Jason Snell a perguntar se isso não estava fazendo com que os filmes da Marvel seja mais parecido um programa de TV cujos episódios são longos e passam no cinema. Seu tom era de que isso é algo negativo.

Minha pergunta é: isso importa? Muitas pessoas constroem essas noções de que certas mídias servem para certas coisas, sem jamais questionar se essa limitação é necessária. Se filmes parecem-se mais com seriados, e seriados parecem-se mais com filmes (vide Sherlock, da BBC), por que tratamos os formatos antigos como superiores e dignos de se manter? Em uma era pós-Netflix, qual é o ganho em um episódio restringir-se a restrições criadas pela TV de 23 ou 46 minutos para dar tempo para comerciais que nunca serão exibidos; por que, em uma era pós The Pirate Bay, é importante que um filme seja autosuficiente, quando obter e assistir aos filmes anteriores é um processo tão banal?

Onde mais nos agarramos a antigas restrições por pura nostalgia?

When You Lose Weight, Where Does it Go? The Answer May Surprise You

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Rodrigo Jaroszewski:

tl;dr: a sua gordura sai pela sua urina e pela sua respiração. A explicação é muito interessante.

Publicado originalmente em Mitch Kirby:

Recently, I was sitting and thinking about all of the diet and exercise suggestions that constantly bombard us from all sides. While trying to determine which techniques would likely yield the largest benefits, I decided to start from the beginning and attempted to answer a seemingly simple question: When we lose weight, where does the weight go? When the fat from our waistline disappears, what happens to it? Answering this question was actually way more difficult than I imagined at the start, and forced me to think back to my time as a molecular biology major in order to answer the question effectively.

After uncovering the answer for myself, I asked others to think about the question to see if the solution was more obvious to them than it was to me. Shockingly, even many physicians I asked were unable to answer this question accurately and completely. Below are the most popular answers…

Ver original 980 mais palavras

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Como escrever um e-mail de comunicação interna

Letter_from_Arthur_Conan_Doyle_to_Herbert_Greenhough_Smith

Caros senhores,

Nunca comecem um e-mail de comunicação interna desse jeito. Você não está escrevendo uma carta em 1950. Um e-mail de comunicação interna deveria ser tão breve quanto uma mensagem que você digitaria no WhatsApp, com pressa, no trânsito, com uma mão no volante. Então, esqueça as formalidades e vá direto ao assunto.

Se você não está com tanta pressa ao ponto de precisar enviar um e-mail sem nem corrigir o português, caminhe até a mesa do seu colega ou ligue pra ele. Se ele está livre o suficiente para ler um e-mail, ele está livre o suficiente para atender a sua ligação.


Existem dois tipos de e-mails de comunicação interna em uma corporação: os longos, e os curtos. Se você escreveu um médio, provavelmente poderia ter usado menos palavras. No pior caso, você escreveu muito pouco e deixou de fora coisas importantes.

Exemplo de excelente comunicação por e-mail:

Rodrigo, faça uma contagem de quantos usuários pagantes nós temos nos nossos serviços e prepare os números para os discutirmos na nossa próxima ligação.


E no fim da mensagem, desligue a assinatura automática. Dentro de uma empresa, basta o seu nome no campo “Remetente” para o interlocutor saber quem você é.