Um pequeno conto sobre liderança
Quando eu estava na quarta série do ensino fundamental, houve uma votação para líder da turma onde eu participei como candidato. A votação ocorreu em ordem alfabética, então até que chegasse minha vez de votar, eu já era um dos favoritos a vencer — até hoje não sei muito bem o motivo, pois nunca me considerei uma pessoa respeitada pelos outros durante meus anos de escola.
De qualquer forma, eu fiz algo que é impensável para alguém que está em uma votação: votei contra mim, em outro candidato. A minha mente de 10 anos achava anti-ético votar em si mesma.
A votação empatou. No desempate eu perdi e virei o vice-líder.
A única coisa que um líder de classe fazia, de verdade, era pedir que os outros alunos parassem de falar, ou ao menos conversassem mais baixo, quando eles perdessem a noção do barulho. Isso era trabalho do líder, mas eu, o vice-líder, fazia.
Portanto, além de aprender a fazer expressões matemáticas com parênteses, colchetes e chaves, eu aprendi algo importante que eu não percebi até que eu estivesse há muitos anos longe de lá: As pessoas me deram mais valor do que eu dei a mim mesmo, na votação. Por não me dar valor, eu fiz o mesmo trabalho da pessoa que se valorizou, mas não recebi o título compatível às atribuições.
Eu também aprendi uma coisa depois da votação: Que mesmo não sendo o líder, as pessoas confiavam em mim. Eu fui sempre atendido, sem xingamentos, todas as vezes que levantei o braço fazendo o sinal pedindo silêncio. Os outros alunos sabiam que eu praticava o que pregava, e que nunca o pediria se não era realmente necessário.
Quem diria que 15 anos depois eu ainda não aprendi tudo que me ensinaram na quarta série?