Rodrigo Jaroszewski

Erros humanos e erros eletrônicos

Publicado em Comportamento por Rodrigo Jaroszewski em 04/06/2009

Resolvi escrever sobre o assunto do AF447 aqui porque nos trás uma lição importante sobre gerência de pessoas e de recursos.

O autor Paulo Coelho no Twitter agora a pouco enviou uma série de tweets sobre o assunto, principalmente no que diz respeito a uma reportagem que leu no blog Da França, da revista Veja, que mostra o mapa da rota de voo do avião. Ele pergunta, por que as pessoas não falam mais sobre isso na mídia? Além disso ele diz que a caixa preta não é a resposta. Suponho que ele espere provar desta forma que foi imprudência do piloto — um ponto de vista que não é compartilhado pelo leitor Silvério Henrique, que comentou que “É FÁCIL RESOLVER PROBLEMAS CULPANDO QUEM ESTÁ MORTO..”

Eu não compartilho a visão deles. Culpar o piloto sem a caixa preta é declará-lo culpado até que se prove o contrário. Não considerar o piloto na equação dos eventos que podem ter causado uma tragédia dessas porque “é feio bater em morto” é um sentimentalismo barato que evita encarar a situação de frente: mais feio ainda é ser injusto.

Os fatos são estes: os humanos falham, pois são imperfeitos. As máquinas também, pois foram criadas por nós. Esses fatos por si só são capazes de apavorar qualquer um…

Mas não apavoram. Por que isso acontece?

Porque a sociedade que criou a máquina que caiu e formou os homens que a pilotam diariamente é uma sociedade ousada. Nós, no Ocidente, e especialmente na França, temos uma cultura onde a ousadia, ou seja, a tentativa apesar dos riscos é um ato celebrado. Imagine desta forma: sem antena não há rádio; sem manutenção, não há antena; sem subir na antena, não há manutenção; ao subir na antena, há o risco de queda e morte; sem o risco de queda e morte, não há rádio.

Na verdade haveria. Mas não seria o rádio como você conhece hoje, mas um bem restrito, com baixa qualidade e baixo alcance.

Nós aceitamos os riscos de bom grado geralmente até o momento onde algo termina mal: um hematoma, um osso quebrado, um mês no hospital, até a morte. Nesse momento nós questionamos, por que nós nos arriscamos tanto?

Para aprender. A verdadeira tragédia não é só a de quem morre e não pode completar a sua história de vida. Também não é a de quem está vivo e não poderá mais ter a companhia dessas pessoas que perderam no acidente. É sim a de quem está vivo e não aprendeu nada com isso.

Que todos nós aprendamos: aprendamos que a vida é curta e que vale a pena dar o melhor de nós para sermos hoje o que, talvez, não pudermos ser no futuro. Que sejamos boas pessoas hoje, profissionais competentes hoje, bons familiares hoje, que mudemos o mundo para melhor hoje.

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